domingo, 18 de setembro de 2011

Não quero escrever mais!


Não quero escrever mais!

Não quero escrever mais poema triste
A custo meu coração resiste...

Nem palavras mortas
Ou sílabas tortas…

Nem tempo sem tempos
Em verbos violentos...

Nem rimas nem prosas
Ficaram para mim, os espinhos, a outros as rosas...

Já não quero mais lágrimas
Ou sorrisos a manchar páginas...

Espinhosa, efémera beleza
Onde sobressai a tristeza...

Vou deitar fora escritos rasurados
E os poemas rasgados...

Segurarei firme o pulso
Quando de escrever voltar o impulso...

Vou fechar janelas e portas
À inspiração virar as costas...

Perdoe-me Sr. Camões
Mas todos temos direito a ilusões...

Há momentos que ficarão na memória
E outros nas páginas negras da História...

Venceu-me a exaustão
Guardo-me com o vazio na palma da mão

Não vou desaparecer
Apenas deixar de escrever…



Palavras e fotos

FlorAlpina

Reservados os direitos de autor

Plágio além de feio, é punido por lei!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

“Arco-íris de sentimentos”

Foto do meu Filhote




Precisamente naquele momento
Em que me sentia cansada da chuva,
Levantei-me da inércia
Miseravelmente cómoda em que caíra,
Fechei de mansinho as goteiras
Das nuvens choronas,
Acendi às escondidas o sol da tarde
Mas não me culpem!
Eu não sabia!
O céu olhou para mim
Sugando-me num facho de luz
Até avistar uma montanha arredondada de cores!
Senti-me sufocar com tamanha beleza
E com a força do espanto
Engoli o arco-íris!
Trazia a balouçar numa extremidade o pote de ouro
Que tanto prometem as histórias
Mas vinha vazio de riquezas…
Baldeavam apenas umas gotas engraçadas, uns restos de tinta…
Porem os meus sentimentos que não tinham cor,
Desbotados pelas geadas do tempo
Acordaram entontecidos, abriram-se com o peso do estrondo
Do pote dourado caído a meus pés!
Se fossem letras, faria um poema!
Mas réstias tintas…
E com um coração daltónico, de que me servem as cores?
Pintei de olhos fechados,
De vermelho o mar
De amarelo os sorrisos
De anil os dias, para não destoar
De azul as saudades
De laranja o sabor amargo da distância
Dei violeta às horas que passam a correr
Oh, arco-íris de sentimentos
Em que mãos vieste bater!
Era previsível que pestanejando
Sobrassem cores…
Alucinei! E com o verde salpiquei o sol
E as searas num murmurar que só eu ouvi,
Ondulavam agradecidas, adiando a colheita!
As papoilas esconderam-se
Semi-nuas no seu encarnado sedutor
De novo ousadas esperando a primavera.
Revirei o pote reluzente ao contrário
Sentei-me!
Procurei descobrir as coloridas pontas arcadas
Que me iam de um olho ao outro,
Mas diante de mim,
Acendiam-se as telas florescentes
Da tua ausência,
Que as minhas mãos trémulas teimam em não largar!


Um dos três poemas com que participei no concurso de poesia "A poesia no encontro do tempo"
Mais pormenores e os belíssimos poemas que estiveram a concurso consultem o link http://camposcentrocultura7.wordpress.com/2011/09/09/concurso-de-poesia-aconteceu-magia/

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"(Des)Conheço-me..."




Andei tanto tempo a fugir de mim...



Que hoje não sei quem sou...



Passo por mim e não me reconheço!



Há palavras que escrevo, e fazem-me companhia...



E há palavras que escrevo e me fazem sentir só!



Ressequidas são as frases



Colhidas num deserto de emoções,



Folha branca, terreno fértil



Onde gota a gota



As palavras ganham vida



Assim escritas me fazem companhia,



E no terno aconchego de palavras me sinto menos só...





Um dos três poemas com que participei no concurso de poesia "A poesia no encontro do tempo"
Mais pormenores e os belíssimos poemas que estiveram a concurso consultem o link http://camposcentrocultura7.wordpress.com/2011/09/09/concurso-de-poesia-aconteceu-magia/

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sentimentalista.Talvez...






Mais que palavras


São os sentimentos em cada letra


Uma estranha dormência apodera-se de mim


Fecho os olhos.


Chamo o sono e o momento em que te vi partir!


Coloco juntinho do rosto a almofada que ainda tem o teu cheiro,


Deixo que ela absorva a lágrima de saudade que me fazes sentir.


E respiro o teu perfume com a sede de um moribundo no deserto.


Olho à minha volta e o silêncio assusta-me.


Esta noite vou dormir com a luz acesa!
Tenho medo que o escuro me roube tudo que entre nós se passou.


Quis-te na euforia desmedida de um momento.


Muitas vezes sonhei acordada com esse único instante.


Sentimentalista.Talvez...


Ardia-me no peito o peso da solidão.


Estou certa que para tudo existe uma razão.


Suspiro, fecho os olhos e tento dormir, mas nunca mais quero ficar sozinha no quarto onde te amei!









Um dos três poemas com que participei no concurso de poesia "A poesia no encontro do tempo"

Mais pormenores e os belíssimos poemas que estiveram a concurso consultem o link http://camposcentrocultura7.wordpress.com/2011/09/09/concurso-de-poesia-aconteceu-magia/


Parabéns aos vencedores!

E aos impulsionadores deste evento!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A maré começou a baixar...

Ouviam-se os passos curtos de quem estava a chegar…
Contando a passagem do tempo entre dois goles de uma espera gelada, e a sombra amarga de uma rodela de limão…
Recortava abobadas ao pôr-do-sol com os braços cúmplices de indiferença, e os olhos postos em horizontes minúsculos que não davam para lado nenhum!
Suspensos no céu azul, apareciam ao longe poemas escritos com rastos brancos de ilusões deixados por memórias antigas.
Interrompendo de quando em vez o som ligeiro da brisa uns pensamentos sem nexo, imaginados no búzio sem cheiro a algas.
Delineava a medida certa das marcas da saudade na areia, e as ondas fantasmas que esbatem avançando e recuando numa tarde de Agosto.
Não sei ao certo, porque as gaivotas voavam em círculos estranhos, quase quadrados, mas acho que é por esta hora que a maré começou a baixar…
Porém desta vez não ficaram peugadas minhas à borda de água…para que o mar distraído não tenha o prazer de as afastar…



Palavras e fotos FlorAlpina
Reservados os direitos de autor
Plágio além de feio, é punido por lei!

sábado, 6 de agosto de 2011

Encostei-me num fio de tempo

Encostei-me num fio de tempo
À minha espera
O meu corpo indiferente, ali
Mas vazio…
O vento fazia balouçar as ideias
Entre a mente e o corpo uma distância imensurável…
Faltavam-me respostas seguras
Às perguntas bifurcadas

Encostei-me num fio de tempo
Numa esquina dos pensamentos
Enquanto me trespassavam os raios de sol
Sem me aquecerem
Faziam ricochete nas paredes gastas do passado
Reflectindo ainda mais cinzento o céu de um futuro que tarda…
Dando cor ao alarido de promessas tresmalhadas
Num burburinho de letras mortas…

Encostei-me num fio de tempo
Desacertados reflexos de meias palavras
Atravessam-me o corpo,
Ali, encostado num fio de tempo
Mas vazio…
A deixar desenhar em linhas tortas
Sombras nas paredes
Com pedaços de frases caiando a minha ausência




Palavras e foto FlorAlpina

Reservados os direitos de autor!

Plágio, além de feio é punido por lei!

sábado, 23 de julho de 2011

Pudesse voltar atrás...



Pudesse voltar atrás…
Não havia o (imenso) antes
Não havia o (breve) durante
Nem o (vazio) depois!

Aprendi que afinal nada sabia…
Aprendi que não devia ter tentado
Aprendi que ser humilde não vale de nada…
Compreendi, que quando se aprende com os erros é sempre tarde demais!