
Levam-me para longe as palavras
Sem nunca me tirarem daqui!
Sentada no cais da saudade
Enleio sombras e migalhas
Movem-se memórias
Dentro da caneta como um grito azul!
Um grito tão fino quase transparente…
Mexo as letras como asas
Pairam com elas os pensamentos
No canto das aves
Sinto a corrente de ar nas entrelinhas
E num voo roubado
Rasgo ventos…
As frases perdem o equilíbrio
Poderia dizer que sofro de vertigens
Mas, afinal, só de rastejar sinto medo…
[Vou levantar-me, antes que comece a cair!]
Com palavras afiadas rasgo vontades nunca ditas
Enroladas em praias interditas
Ondas clandestinas
Desnorteiam as rimas
E são as palavras como aves
Na leveza do silêncio
Que buscam direcção
Tempestades
Sobressaltos
Horizontes enevoados
Onde meu corpo de poema balança…
Com uma escrita deformada
Pela rude inspiração!
E voo…
Em ziguezague mas voo…
Palavras e foto
FlorAlpina (Carmen Ferreira)
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Plágio, além de feio é punido por lei!