terça-feira, 8 de junho de 2010

(Im)Percetível...

(Imagem da internet)

Quanto mais transmito
Mais sou identificável
Então aferrolho os pensamentos
Deixo-me absorver pelo silêncio
Completamente devorada
Carcomida pela besta do ambíguo
Partícula comprimida
Lentamente…
Sou componente do que não se vê
E serei invisível…

Visivelmente oculta...

Átomo imperceptível
Encafuo-me no eco da minha sombra
Alcova desconfortável que me faz de berço
Balanço ao som do silêncio
No trilho gasto das palavras mudas
Que se arrastam nas periferias
Dessas alamedas do meu esquecimento
A amnésia é a fidedigna companheira
Dá a mão á minha silhueta
E serve-me bálsamos amargos
De momentos corrompidos
Em cálices de cristal esburacados
Que bebo ávida
Para me punir vagarosamente
E sucumbir devagar
Á sombra da madrugada...


Do meu insignificante queixume
Nem um ai se ouvirá
Esvoaçará o último respiro
Num cerrar de asas
Imperceptível...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

(In)Suportável...cegueira...


Intensidade insuportável
Esta luz negra que me cega
São relâmpagos de vontades
Que se apagam nos clarões da vida

terça-feira, 1 de junho de 2010

(Con) Sequências...

Sobreponho as letras...
Entrelaço as palavras...
Poesia?

Pontos e vírgulas...
E sangram promessas que procuram rimas...
Os dedos enleiam-se...
As mentes soltam-se...
Reticentes...
Os verbos tocam os teus ombros...
Lousa suave...
Onde em vão se esculpem poemas....

Divago á média luz...Da tua sombra...
Danço um tango por inventar...
Afasto-(nos)...
Perco-(te)...
Encontro-(me)...
Altas montanhas...nirvana...

Devem achar que sou louca...
E quem são vocês para me julgarem?

Assumo que a saudável loucura...
É o bálsamo embriagante que me mantém viva...
E na lucidez da minha insanidade...
Fervilham...
Dentro de mim… vontades...
Que lanço a um mar secreto...
Numa âncora em que me amarrei...

Afago o rosto de sereia...
Qual sereia?
Que rosto?
Se sou invisível...

Uma ilusão sem rosto...
Um corpo...Amorfo...
Uma miragem no deserto...
Onde quase me encanta ser odalisca...
Eu própria...
Poetisa?
Ou poema?
Sou resma de palavras...
Soltas...
E vontades agrilhoadas...

Amanhece...
O orvalho acorda-me dos sonhos...
As janelas entreabertas do céu...
Não me deixam vislumbrar a felicidade...
São fios de fantasia!

Esvoaço por entre a noite que me acolhe...
Adormeço no dia que não clareia...
Rasgo os momentos...
Desta cortina que não vejo...
Rodopio no vazio...
Abraço-me nas pétalas de chuva...
E enquanto a incerteza escorre...
Os pensamentos dançam...
No anfiteatro da mente em alvoroço...
A plateia vazia aplaude o meu silêncio...

Que ecoa...
Num labirinto...onde a solidão me guia...
As estrelas apagaram-se...
Com os raios de sol...finos...
Bordo um xaile de saudade...fria...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Se eu pudesse...


Ai, se eu pudesse
Se eu pudesse engolir o som do mar
Se eu pudesse segurar o vento
Se eu pudesse agarrar a distância com ambas as mãos
Se eu pudesse pintar o tempo com a cor do desejo
Se eu pudesse beber os suspiros que calo
Se eu pudesse sonhar á sombra das estrelas
Se eu pudesse apagar a noite
Se eu pudesse gritar o silêncio
Se eu pudesse ser quem não sou
Se eu pudesse arrancar-me de mim
Se eu pudesse inventar-me de novo
Se eu pudesse estar onde não estou
Se eu pudesse arquivar as carícias
Se eu pudesse eclipsar-me numa gota de orvalho
Se eu pudesse estilhaçar a ausência
Se eu pudesse mastigar a saudade
E cuspir cristalinos poemas de amor
Se eu pudesse…

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Por caminhos perdidos...


Andando á deriva
Encontrei meu rumo
Nos caminhos perdidos…

Entre linhas ténues de esperança
Por onde desfilam mudanças
Mais próximo fiquei
Desses estios ramais de atalhos
Beijam-me…
Os últimos raios de sol
Desenhados no céu encantador…

Passadeiras avulsas estendem-se diante do olhar
Equívocos nos conduzem por outros caminhos
Dos desvios que os sinais apontam ao contrário
Vislumbro uns laivos de felicidade
Em forma de ilhas desertas…
Á quietude das águas
É indiferente essa ausência…

Encontro aconchego no pontão solitário
Onde me sinto abraçada por mim
Nos canaviais onde se calam as gaivotas
E se ocultam degredos…

Os passadiços de tábuas gastas pelo sol
Oferecem conforto aos meus passos cansados…

São os caminhos trocados
Que nos mostram a direcção certa
E de relance
Saboreio com prazer
A paisagem que o meu olhar devora
O sol-pôr tempera os desejos de ficar
E as sombras são cadeiras de baloiço
Onde o pensamento repousa…

O vento implora o meu cabelo
Para se esconder
E desvendar segredos
Vagarosamente a noite obedece
Ao toque dos meus dedos…

Os pássaros em desalinho
Lembram-me que é hora de partir
Sem nunca ter estado
Voltarei para cinzelar meus passos
Nos caminhos perdidos
E esculpir com volúpia o prazer adiado
Entre realidades e sonho…

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Nas palavras que apago...


Escrevo-te o adeus
Com a pena
Que arranquei sem dó
A essas asas com que antes voei
Expressão glaciar arrepiante
Finjo não ter dor
O tempo corrompe o querer
Despeço-me de ti
Nestas palavras que apago...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Procuro(me)...Aonde?

(imagem da internet)

Procuro (me)
No rasto de mim…

O medo é a chave para abrir o ser primitivo que sou
Procuro na mancha negra do tempo
O meu rasto perdido
Aonde?
Arrastando-me com terror
Tento encontrar-me no meio de lugar nenhum
Onde encontro pedaços de mim
E descubro enormes surpresas
Sobressaltos deixam-me por vezes desconfortável
Estranhezas que por vezes me alojam num estado de jubilo
Muito além do imaginável consentido...

No meu rasto perdido
Encontro trilhos de passos meus...
Passos presos...
Pesados...
Passos irregulares arqueados
Fugindo ao alçapão da memória
Alquimias que respiro por caminhos livres
Nunca por mim caminhados...

Varro com destreza o meu rasto perdido
Com medo de me encontrar
Caminho em câmara lenta
Escapando das sombras lúgubres
Que se serpenteiam no meu caminho
Corro a espremer os passos
Nesta viagem etérea...

Aonde?
Algures…
No meu rasto perdido!