domingo, 31 de janeiro de 2010

(IR)Realidades...

A vista rígida…
Mergulha no relvado…
Deste crepúsculo…
Da existência…
Ternuras fugidias…
Cinzento esmagador…
Desenhou letras ao contrário…
Nas entranhas da noite…
Vacilam sombras no escuro...
Procurando transparência…
Pura tolerância…
Na busca do amanhecer…
A meada desfiada…
De estrelas cadentes…
Sem fio por onde se lhes pegue…
Calcorreamos a madrugada…
Esquecemos os dias…
Absortos em nós…

sábado, 30 de janeiro de 2010

(In)Existências...

O ouro e a prata,
Seriam valores supérfluos,
Se algumas criaturas,
Soubessem o valor real,
Da amizade verdadeira…

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

(In)Perfeita... Mutatis...Mutante...


Chegou serenamente…
Nas margens da noite…
A larva inspiração…
Parou a meu lado…
Vinha cansada…
Contorceu-se…
Aninhou-se…
Pernoitou em mim…
Cobrimo-nos…
Com o manto retalhado…
De fantasias rasgadas…
Adormecemos embalando os medos…
E no tear da madrugada…
Teceu no vazio…
Uma teia…
Envolvendo-nos…
De desejos perdidos…
Circundamo-nos com filamentos…
De promessas incertas…
Entrelaçou pontas de finos sonhos…
Enclausurou-nos…
Num ponto de interrogação constante…
Aonde pende um feio casulo…
Preso a um fio de esperança…
Baloiçando ao sabor das vontades…
No remanso de esperas sufocantes…
Rascunhos imperceptíveis…
Ninguém sente a minha falta…
Um raio de sol rasga o embrulho…
De tão frágil que era…
Tombando por terra...
Metamorfose concluída…
Esvoaçante de asas coloridas…
O agora verme adornado…
Pavoneia-se no azul do céu…
Á procura de uma nova flor…
Pensamento livre onde pousar…
E eu constrangida na dor…
Desta metamorfose imperfeita…
Contorço-me rastejando o desconhecido…
Não perco a esperança de voltar a ver-te…
Mas acomodo-me de novo…
Dentro deste pertinente e apertado…
Deformado invólucro…
Simples casulo vazio…
Eu…



quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Razões de viver...


Hoje transcrevo aqui, uma pequenina parte de um grande e significativo texto, que eu escrevi há já algum tempo, e apesar de muito pessoal, mas porque hoje é um dia peculiar para mim, estive a reler esses escritos passados e tenho muito gosto em partilhar com vocês, uma das mais sólidas razões de viver que uma mãe pode ter…


…Nestes momentos, sentia sempre umas mãos pequeninas, que para eu limpar os suores frios da fadiga, me esticavam uma toalhinha macia, até aquela apertada arena onde eu já quase jazia. Delicada toalha, tecida com os mais belos sorrisos e carícias, contendo entrelaçadas, finas linhas de esperança, e alegremente colorida de olhares inocentes, de criança e bordada com delgadas palavras doces, onde se lia,” NÃO DESISTAS MÃE!”
Ouvia-os ao longe, os sons das palavras que daqueles inocentes e melodiosos lábios, salpicavam em cima de mim, e sem o saberem, as palavras de uma linguagem cândida mas tão fortes, em que eu me agarrava, afincadamente, para me erguer e combater de novo. Sentia estes apelos miudinhos que me chamavam de novo á vida. Eram como se fossem gotas de um especial tónico de coragem, que eles, os meus filhotes, me davam a beber. Bebia sofregamente essa coragem, por mim sim, por mim. Mas muito, muito mais, e mais por eles.
_ Vai passar mãezinha, vais ver que vais ficar boa! Diziam eles, enquanto me davam, beijinhos repletos de inocentes carinhos, no “dói-dói”.
Acreditem que não são só os beijos de mãe que curam as feridas dos filhos. Os beijos de filhos curam muito mais as feridas de uma mãe.
Necessitavam ainda tanto de mim, aqui, ao pé deles. Queria vê-los crescer, tinha que ajuda-los a crescer afinal.
Corriam, saltavam brincavam alegremente de novo, quando eu e ainda que a custo, esboçava um sorriso forçado, e lhes dizia para os tranquilizar:
_ Sim, a mãe vai ficar boa, já passou, já passou…
Girava a cara depois para o outro lado, para não me verem, enquanto chorava constrangida, e envolta em fracos retalhos de forças, avançava e recolhia-me naquela mágoa e continuava, a lutar pela vida!
Não podia simplesmente esmorecer e dar a vitória ao inimigo, assim de mão beijada, não, nem podia pensar em desistir quando tinha por perto os meus heroizinhos, os meus soldadinhos de chumbo, que tanto me ajudaram para eu não desanimar…


No silêncio sois meu grito
Na escuridão sois a luz
Semente que germinou em mim…

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sei...de um MAR...


"Sei de um mar...
Que sente numa brisa...
Vontade de sonhar!"

Sou só um grão de areia
Esquecida partícula…
Distante do mar…

Mar…
Imitando as tuas cadências…
Plagio as ondas imortais…
Imprimo, constantes reticências…
Arquivo-as entre dunas e canaviais…
Mar…
Agridoce, melodia ensurdecedora…
Salgada musa inspiradora…
Guardas meus segredos….
Esculpidas pegadas de devaneios…
Mar…
Alcanças o meu rasto…
No areal da poesia…
Arrastando este distante mastro…
Nos encantos da maresia…
Mar…

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

(In)Discreta...Lua...


No espaço indefinido...
Sou a vítima escolhida...
As nuvens negras riem-se de mim...
Guardo na minha mão vazia...
A tua sombra lapidada...
Despudorada...
Apresentas-te nua...
Oculta na escuridão do cosmos...
Decantei-te...
Nas asas da poesia...
Ópio das noites...
Esperava-te e tu não vinhas...
Disperso-me nos esconderijos da escrita...
No penhasco do infinito...
Auge longínquo de onde me convidas...
Atravesso fronteiras invisíveis...
Voo em direcção a ti...
No rasto de uma estrela cadente...
A claridade me reflecte...
Cavalgo os verbos indizíveis...
E sonho...
Efémero sonho...
Clausura de memórias...
Escarlate resguardo de fantasia...
Fugaz o esgar milenar...
Com que me contemplas...
Na terra do nunca…
Galopas a escuridão...
Alteras-te em fases...
O quanto significa...
Os momentos que me olhas...
Á noite,
Vens espreitar-me,
No desabitado do meu ser...
No céu...
Azul celeste...
Palco celestial...
Musa inspiradora...
Na tela da incerteza...
Vaidosa nua...
Espelhas-te no meu lago...
Lua cheia...
De devaneios...
Lua nova...
Desbotada esperança...
Quarto crescente...
Enche-me de forças e aguardo...
Quarto minguante...
Imperceptível reflexo de luar...
Eclipse total de mim…
Lua errante na vastidão do firmamento…

domingo, 24 de janeiro de 2010

Fénix?...Talvez...

(excerto)
Pairam no ar nuvens de fumos…
Eclodem ainda centelhas…
De noites ensombradas…
Desaparecem na brisa…
Fagulhas do passado…
Refulgentes nas labaredas…
Crepitam as dores…
Melodia do restolho a arder…
Mágoas no vento se espalham…
Arrastando tristezas que já não quero…
Silêncios que percebo…
Sentimentos aguçados…
Rompem cortinas do passado sombrio…
Nesgas de esperança…
Rasgando o opaco véu…
No azul celeste…
Entrevejo o sol…
Canículas de força…
Refrescantes alentos do vento norte…
Sopros de inspiração agreste…
Acalmam os suores de horrores…
Neste lume, calor que me consome…
Fornalha de medos acesa…
Nicho de espinhos…
Serei Fénix neste meu ninho…
Construído de penas envelhecidas…
Revestido de esperas amargas…
Amarguras gastas…
Expectativas inúteis…
Palavras ásperas…
Algemei nas chamas…
Fantasmas do passado…
Ficarei destemida á espera…
A ver arder a silhueta…
Inábil que me pertence…
Até desaparecer escrava…
Consumida a ultima sombra de mim…
No clarão da ruína…


Coragem!


Sairei Fénix renascida…
Elevando-me num firme voo…
Em direcção ao desconhecido…
Sem certezas…
Quando a cinza estiver fria…
Mas com a convicção de ser eu…
Eu não eu, mas eu Fénix de novo viva!