sexta-feira, 12 de março de 2010

(Des)colorido... (di)verso



Era vermelho esse mar…
Eram azuis os sonhos…
Era escarlate o crepúsculo falacioso…
Eram douradas as areias movediças…
Era anil/esverdeado o (a)mar platónico…
Eram cândidas as pegadas de espuma…
Era opaco/negro o areal onde ficaram gravadas…
Eram cinzentas as ondas de ilusão…
Era dúbio ludibriante o espírito da ganância…
Eram incolor os afectos inversos…
Era prateada a noite/madrugada…
È preto o sabor amargo da aparência…

As cores exauridas do tempo tingiram as marés …

quarta-feira, 10 de março de 2010

Não me batem mais...


De mãe, estremece-me o coração
Quando ainda no alfobre da vida
Uma flor sem estufa, é arrancada do chão
Ninguém viu…em direcção ao rio…a saída…

Não importa os nomes que lhes dão
Mondadores sem idade…
Arrancaram do viveiro malmequer em botão
Caule andante…murchou na rivalidade…

Jardineiros cegos
Deixam crescer ervas daninhas
Nos muros das escolas
Nas muralhas das casas
Na selva das ruas…
No éden vazio
No portão do inferno da vida

Jardineiros cegos
Contam os votos, os números as estatísticas…
E a dor?
Os nascimentos e os óbitos…
E as crianças?
As cores dos apitos sem som…
E a infância?
A Europa comparações a 6 a G8 ou á dúzia que é mais barato…
E os lamentos inocentes?
Brincamos de faz de conta que somos todos iguais…
Ninguém se importou…
Ele… também não…
Despe-se do supérfluo…
Sem despedida…
Valente! Corajoso!
Inicia a viagem do fim da vida…

Na magnitude do desconhecido
Teve a coragem de abalar
Ouve a calma espiral do rio
Sofre na súplica do desespero…acabar

Poderes de sucção invisíveis
A má sorte escrava a chamar
Estendeu-lhe a fatalidade a mão
Entre gritos inaudíveis

Porque a flor/dor no rio fluTua
Marcada com o som da inocência
Da miséria minha/tua

E não se afogarão jamais
As palavras ondulantes
A mim, não me batem mais!

A mágoa é maior…mas eu não mais consigo dizer…

terça-feira, 9 de março de 2010

(In)Conveniente...


A escrita é a couraça
Que me protege!
E a arma de arremesso que utilizo,
Nesta guerra de palavras,
Onde só eu sou a vitima confirmada!

domingo, 7 de março de 2010

MULHER


“Uma mulher poeta é duplamente mulher”

Li esta frase a páginas tantas de um livro, gostei…
Mas como não sou poeta, sou apenas mulher, faço-me acompanhar de um grande poema que sempre gostei muito de ler, de ouvir, e de o interpretar…

"Calçada de Carriche"

Luísa sobe, sobe a calçada,
sobe e não pode que vai cansada.
Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe sobe a calçada.
Saiu de casa de madrugada;
regressa a casa é já noite fechada.
Na mão grosseira, de pele queimada,
leva a lancheira desengonçada.
Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.
Luísa é nova, desenxovalhada,
tem perna gorda, bem torneada.
Ferve-lhe o sangue de afogueada;
saltam-lhe os peitos na caminhada.
Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.
Passam magalas, rapaziada,
Apalpam-lhe as coxas, não dá por nada.
Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.
Chegou a casa não disse nada.
Pegou na filha, deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa numa golada;
lavou a loiça, varreu a escada;
deu jeito à casa desarranjada;
coseu a roupa já remendada;
despiu-se à pressa, desinteressada;
caiu na cama de uma assentada;
chegou o homem, viu-a deitada;
serviu-se dela, não deu por nada.
Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.
Na manhã débil, sem alvorada,
salta da cama, desembestada;
puxa da filha, dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa, desengonçada;
anda, ciranda, desaustinada;
range o soalho a cada passada;
salta para a rua, corre açodada,
galga o passeio, desce a calçada,
desce a calçada, chega à oficina à hora marcada,
puxa que puxa, larga que larga, puxa que puxa, larga que larga, puxa que puxa, larga que larga, puxa que puxa, larga que larga;
toca a sineta na hora aprazada,
corre à cantina, volta à toada,
puxa que puxa, larga que larga, puxa que puxa, larga que larga, puxa que puxa, larga que larga. Regressa a casa é já noite fechada.
Luísa arqueja pela calçada.
Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada, sobe que sobe, sobe a calçada, sobe que sobe, sobe a calçada. Anda, Luísa,
Luísa, sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.

"António Gedeão"



EU/TU...MULHER...

Dedicam-te um dia no ano…
Mulher…
Dia oito…
Quase por esmola, ou vergonha?
Feita num oito… andas tu/eu todos os dias…
E os outros dias todos, são de quem?
São teus/meus todos os dias…
Mulher-a-dias…dias e dias Mulher…
E tutti-quantis…
Um dia da Mulher…
Ainda para assinalar…o que se esquecem depois de lembrar…
E oferecem-te um dia 8…
Rola rebola e quando não se apruma de novo…
Numero oito…
Parecem as algemas que te prendem a esse sexo que dizem fraco…
Dos fracos são as palavras sem nexo…
És a fraqueza dos fortes…
E a força dos fracos…
Não, não é de revolta o meu sentir…
Mas de orgulho…
Orgulho-me de ser Mulher!
Eu simplesmente MULHER!

fotos e poema Flor Alpina

sexta-feira, 5 de março de 2010

(In)útil...agasalho...


Minha repuxada poesia,
É como uma manta de retalhos…Ásperos…
Que costuro com coragem,
Suturando pedaços de pele de cobra…
Que encontro no humilde trilho.
Coso com aguçados fios negros de veneno condensado,
Qual secou á sombra do meu desprezo.
Sem dedal protector,
Pico-me na ponta dos fios letras,
Humedeço a ponta da linha para rimar do outro lado da agulha.
Descoso a inspiração do aberrante alinhavo,
Tento encontrar a musa aprendiz enleada no esboço da manta esfarrapada…
Junto mais uns retalhos coloridos,
Pois abundam no meu deserto…
Suportando o desdém,
Defendo-me apenas com o observar,
Afastando-me daquele rasto impregnado de peçonha,
Deixado pelos exemplares de serpentes perdidas.
Trilhos infindáveis de palavras indizíveis…
Serpes pérfidas, camufladas…
Enroscadas nas sombras dos cactos…
Agradável seiva dos cardos…
Escorrendo nas silhuetas dos versos, inversos…
Colírio intolerável para muitos olhos…
Ah, a minha simples obra-prima!
Suspensa no lápis que empunho, estendo a secar ao sol a manta já escrita, e á noite embrulho-me na fria poesia de recortes…
Hoje manta esfarrapada que me agasalha a alma…
Amanhã...
Amanhã, quem sabe?
Talvez a deixe cair, e será tapete para sua alteza pisar.



(imagens da Internet)

quarta-feira, 3 de março de 2010

(Im)Preciso...sentir...



Até os fortes têm os seus momentos de fraqueza,
Para recuperar forças….

segunda-feira, 1 de março de 2010

(In)Visível...maré vazia...


Alguém apagou as estrelas,
Amarrou o vento,
Segurou o infinito,
E parou o tempo,

Alguém acalmou o mar,

E nas minhas montanhas,
Já não o ouço,
Em minhas manhãs,
Já não o sinto,

Será este um poema inacabado,

Por não encontrar mais sentido,
Do mar outrora inventado,
Rebusco em mim memórias,
Do mar das minhas histórias,

Desse mar distante,
Que lembro com saudade…