quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Encontro...(Des)Marcado...

Quando acordei hoje de manhã, senti uma exaltação dentro de mim.
No espelho, vi um brilho diverso no meu olhar.
Perseguia-me determinada inquietude.
Tentei lembrar-me que dia seria, para me sentir assim especial!
Já lá vai há algum tempo o dia do meu aniversário, que por acaso também não me diz muito.(os anos começam a pesar!)
Não seria por certo esse o motivo, para me sentir tão ansiosa.
Um furor no estômago cheio, ainda que vazio…
Uma leveza extrema, nesta criatura de peso…
Uma alegria contagiante, neste ser nostálgico…
Uma vontade de fazer, que supera a inércia adquirida…
Um orgulho de existir, derruba até a sombra de meu ser convertido invisível…
Que dia é hoje meu Deus? Que não consigo lembrar-me!
Embelezo-me, como há muito não o faço…
Visto-me, calço-me, soberanamente, elegante …
Onde vou assim?
Saio de casa, introduzo a chave na fechadura, ao rodar, sinto um “click” na minha cabeça!
Procuro na bolsa a minha agenda, e leio o que ontem me prometera a mim, própria!
“Amanhã, serei eu mesma!”
Ah!
Afinal hoje tenho um encontro marcado comigo!
(foto olhares.com)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Mar...Distante...


Mágoas minhas sobre ti lancei…
Algumas difíceis de afogar…
Rasguei velas gastas do passado…

Dessa embarcação fugitiva que fui eu, nada mais, (ou pouco) resta …
Ilhéu longínquo onde encalhou a armação revestida de nostalgia…
Saqueadores de afectos ceifaram a ultima réstia de brilho meu…
Tesouros aparentes de inconstantes aventuras…
Assustadora e repentina essa maldita felicidade ilusória, esmoreceu…
Naufraguei no fascínio da noite sem dia…
Tempo sem tempo…
Esboçando um sorriso escuro e na tua branca espuma de mar lançado…


(foto de um amigo)

O som...da minha escrita...


A minha escrita
Tão-só esboço
Tem o som pobre de um realejo
Ou de uma gaita-de-foles
Repleta de ar pejo
Com ela lustro a melancolia
Impregnada de sentimento
Assim uso meus servis poderes
Eu sou o avesso do queria ser
Sou o avesso sugerido
Na existência que detesto
Das raras Vicissitudes
Não descubro na minha poesia virtudes
Cavalgo nas entre linhas
Á procura de uma frase por inventar
ou uma rima para versos
Inacabad…
(imagem, olhares.com)

domingo, 3 de janeiro de 2010

Parabéns...MÃE...

Para ti…
Flores do teu jardim, mãe…


Por muito que escrevesse…
Não iria ser capaz,
De dizer tudo o que mereces.
Por mais que escrevesse…
Não iria encurtar esta distância,
Que nos separa.
Por mais que escrevesse…
Não iria voltar atrás o tempo,
Para não te fazer sofrer nunca.
Por mais que escrevesse…
Não iria aliviar o peso que carregas.
Por mais que escrevesse…
Não iria estancar as lágrimas que semeias,
Por mais que escrevesse…
Não iria saber retribuir o amor que me deste.
Por mais que escreva não consigo atenuar a tua mágoa…
Deixo de escrever e digo-te apenas,
PARABÉNS MÃE…
Saudades, mãe…
(seriam poucas para ti, todas estas prendas)


(Mas também sei que era uma única prenda, aquela que hoje te faria feliz… bjs mãe)

sábado, 2 de janeiro de 2010

(Des)Encontro-me...no azul dos sonhos...

No abismo de silêncio…
Tento encontrar fragmentos de mim…
Violenta a busca de paz que não encontro…
Nas linhas abstractas que rascunho…
Nas palavras indizíveis que rasuro…
Na folha transparente que me foge…
Cristalina salgada substância escorre…
No rosto invisível de serva esquecida…
No cinzento previsível de um destino…
Sobrevive porém a diminuta ilusão do azul dos sonhos…
Presa a esta quebradiça linha do horizonte…
Que aperto nas mãos cansadas…
Escondida entre linhas nesta humilde poesia…

(Re)Virar...a página...

Virar mais uma página…
Neste meu livro da vida…
E escrever um novo capítulo!
Queria esquecer o ano que terminou…
E “quase” não me deixa saudade…
Sinto-me ainda cansada das forças que empreguei,
Numa luta desigual…
Num ringue exíguo…
Venci combates incógnitos…
Aonde não via o adversário…
Afrontando o risco dia a dia…
Retardando o ponto final…
Da história que ainda não quero ver o fim…
Mas…
Não, não quero relembrar o sofrimento…
Mas só a beleza deste ano findo…
Beleza?
Será que existiu alguma?
Vou rever atentamente…
E se encontrar algum facto realmente belo,
Recordarei…
Sim, existiu algo deveras encantador!
“Ou quase”…
(Estou viva…)
(imagem do google)

Recomeçar...

"Recomeça…
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças. "

poema de Miguel Torga
e foto da mana
(que esperou que as abelhas decidissem, em qual girassol pousar)